Plenitude dos Tempos

26/03/2020

Gálatas 4.4 "Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,"

Efésios 1.10 "de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra;"

Paulo por duas vezes em suas cartas, faz relação de uma ideia de "plenitude dos tempos" com a importância da vinda do Filho de Deus, Jesus Cristo.

Era convicção comum entre os judeus a ideia de que a História passaria por muitos estágios até atingir o ponto culminante, quando todas as coisas seriam finalmente sujeitas ao domínio de Deus. Alguns filósofos afirmavam que Deus permeia o universo e que este, no fim, seria reabsorvido pela divindade.

O Antigo Testamento e o judaísmo reconheciam que Deus tem um plano soberano na História para leva-la a esse ponto culminante. Podemos ver isso na Lei que Deus deu a Moises, o papel da lei nunca foi salvar-nos, mas sim conduzir-nos a Cristo (Gálatas 3.24), era Deus preparando o mundo para a vinda de Seu Filho. Na história da salvação, desde a criação até a vinda de Cristo, houvera eventos memoráveis nos quais Deus trabalhou, visando preparar os homens para a libertação. Ao que parece, na época que o Salvador é enviado para viver entre os seres humanos, foi justamente a época em que "a medida do curso que Deus designara, com todas as suas lições de preparação e disciplina" estava completa.

Ao lermos Gálatas 4, vemos Paulo comparando esse cumprimento (da plenitude dos tempos) ao ponto em que um menino alcança a maturidade e passa a ser considerado adulto. Dá a entender que a obra disciplinar e preparatória da Lei exigia um longo período. Este capítulo é continuação da metáfora do aio (comparação da Lei com um "guia" que conduzia o povo a Cristo). Ele deixa claro que o tempo da Lei tinha alcançado seu ponto culminante e chegado uma nova fé.

Gálatas 3.23-25 
"Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se. ... a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, ... Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio."

A vinda de Cristo ao mundo não foi casual. Ele veio na plenitude do tempo, o tempo predeterminado pelo Pai (4.2). Deus preparou o mundo para a vinda de seu Filho naquela data específica da história.

Não só acontecimentos de narrativa bíblica foram imprescindíveis para a vinda do Messias. Toda a conjuntura da época era perfeita para a vinda do Filho do Homem e o nascimento do cristianismo. Foi o período em que Roma conquistou e subjugou o mundo conhecido, quando as estradas romanas foram abertas a fim de facilitar as viagens e quando as legiões romanas as guardavam. Também foi o período em que a língua grega e sua cultura deram certa coesão à sociedade, o que gera uma certa união das culturas, a ponto de o Antigo Testamento ter sido traduzido do hebraico para o grego (Septuaginta), assim como todo o Novo Testamento original ter sido escrito nessa língua. Ainda, nesse período, o judaísmo começou a ficar dividido, pois havia aqueles que concordavam com a unificação da cultura, porém, outros não, também aqueles que eram resistentes ao império romano e aqueles que eram a favor do império. Ao mesmo tempo, os antigos deuses mitológicos da Grécia e de Roma começaram a perder a influência sobre o povo comum, de modo que nos corações e mentes em toda parte brotou a fome de uma religião que fosse real e que satisfizesse.

Os judeus ofereceram ao mundo as Escrituras; os gregos, a língua universal; e os romanos, as leis e as estradas que facilitaram o trânsito célere dos mensageiros e da mensagem. Essa era a plenitude dos tempos, o ponto culminante, preparado e planejado por Deus para enviar Seu Filho.

Pr. Eder L. Souza 27/03/2020

Referências

Breder, F. (03 de Fevereiro de 2020). A História do Cristianismo Como Você Nunca Viu | Episódio 01. Fonte: Escola do Discípulo: https://www.youtube.com/watch?v=KmpucxGB1jA&list=PLZ4pKq9EIdzxzr5269KlYThKXeEVL6BVf&index=2&t=2s

Cerca de 40 Especialistas. (2016). Comentário Bíblico Beacom. CPAD.

Keener, C. S. (2017). COMENTÁRIO HISTÓRICO/CULTURAL DA BÍBLIA Novo Testamento. São Paulo: VIDA NOVA.

Lopes, H. D. (s.d.). Comentário Expositivo Hagnos - Hernandes Dias Lopes. HAGNOS.

Moody, D. L. (s.d.). Comentário Bíblico Mood.

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