FUNDAMENTOS DA FÉ

28/10/2021

As Crenças Essenciais do Cristianismo

Nesse momento se faz importante conhecermos quais são as doutrinas/ensinamentos essenciais para que alguém possa ser considerado como cristão. Doutrina é aquilo que a igreja (corpo de Cristo) acredita e ensina. A doutrina certa é essencial para a salvação - existe certas doutrinas que devemos crer para sermos salvos.

Isso significa que nem todas as doutrinas cristãs são essenciais para a salvação. Existem muitas doutrinas que são de natureza secundária - assunto que não há grandes problemas espirituais em divergir. Por exemplo, um caso clássico seria a questão do retorno de Jesus, se antes da grande tribulação (pré-tribulação) ou se depois (pós-tribulação). Sua salvação não vai depender da resposta para essa pergunta. Nem sempre haverá concordância entre cristãos convertidos e sinceros em questões teológicas periféricas/secundarias. As chances de que qualquer um de nós tenha um corpo de doutrina perfeitamente completo e correto é muito remota. Vemos divergências entre cristãos sinceros até mesmo no tempo apostólico (a exemplo de Gl 2.11; 1Co 3.6-10; Atos 15.37-39; Lc 12.10). Divergir nestas questões não significa deixar de ser cristão ou desrespeitar o outro, mas, simplesmente, pensar diferente do outro. Questões secundárias, não devem ser assuntos que causem separação (que faça divisão entre o corpo de Cristo), podendo existir divergências, inclusive, dentro da mesma denominação. Sendo assim, todos precisamos ser humildes sobre as doutrinas secundárias e se manter firme e irredutíveis sobre as doutrinas fundamentais.

Abaixo listaremos as crenças que achamos crusciais, as quais se alguém nelas não acreditar, este não deve ser considerado como um cristão genuinamente nascido de novo.

  • Crer em Deu é crucial. As coisas criadas revelam a existência de Deus (Rm 1.20; Sl 14.1). Como Hebreus 11:6 nos diz: "Sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam". Então, a crença em Deus e ter uma fé viva nele é vital para agradar-Lhe e receber Seu dom da salvação (Hb 6.1).
  • Crer na necessidade da salvação: Crer que somos autossuficientes está longe de ser um pensamento cristão. A bíblia é clara em mostrar que a humanidade está separada de Deus; que Morreu espiritualmente (separação entre Deus e o ser humano) (Is 59.2; Rm 6.23); Aquela condição perfeita se perdeu (Gn 3.7, 16-19). O pecado é uma realidade na vida humana (Rm 5.12,18-19; Sl 14.2,3; 130.3; Rm 3.10); e tal situação desagrada o SENHOR (Rm 8.8); que no céu não entra corrupção (Mt 6.20; Ap 22.15; Ef 5.5) e que Deus é Santo e Juiz, logo, julgará todo pecado (Sl 96.13; Ec 3.17), e seu julgamento está por vir (Mt 25.31-46), portanto, vemos a necessidade de sermos salvos da "ira" sobre o pecado.
  • Arrependimento: Em Hebreus 6.1, o escritor deixa claro que esse é um entendimento básico da fé cristã e que o arrependimento envolve o deixar de confiar nas "obras mortas" do legalismo (deixar de confiar que o cumprimento das leis dada a Moisés pode salvar) ou nas obras malignas do paganismo, estes esforços seriam "mortas" por que são ineficazes - Não podem trazer a salvação (cf. Hb 9.14), são obras que não surgem de princípio vital da fé e amor para com Deus, e assim tidas como mortas diante de Deus. Todo tipo de pecado também é visto como "obras mortas". Vários textos fazem alusão de que o pecado é mortificante (Tg 2:17,26; Jo 7:25; Rm 6:1,11; 7:8; Cl 2:13 e Ef 2 :1 ,5). O judaísmo já enfatizava o arrependimento como antídoto para o pecado. O arrependimento faz parte da conversão. Num sentido mais geral, o primeiro passo para todos os que se voltam para o cristianismo é o arrependimento, conforme demonstram João Batista (Mt 3.1-3), o próprio Jesus (Mt 4.17), e os pregadores primitivos (Atos 2.38; 20.21). O arrependimento é para com Deus, porquanto o pecado fez separação entre Deus e o homem. Ele refere-se há uma mudança espiritual e moral de atitude em relação a Deus que resulta numa mudança de direção para longe do pecado e para perto dele.
  • Crer que Jesus é o messias prometido desde a antiguidade (Isa. 49:6,8; Zac. 9:9) que já veio, e veio como ser humano de carne e osso. João argumenta que quem não crê assim não tem o Espírito de Deus, e que esse alguém é "enganador e o anticristo" (Jo 1.12; 1Jo 4.2; 2Jo 1.7).
  • Crer que Jesus é o Senhor e ressuscitou: Os pregadores antigos nunca mencionam a morte de Cristo sem incluir a Sua ressurreição. Olhando para Romanos 10.9 onde Paulo diz "Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo." Ele parece apontar algumas condições necessárias para salvação. Se alguém não acredita que Jesus é Senhor, nem que ele realmente ressuscitou - por exemplo, Testemunhas de Jeová, que pensam que Jesus é o primeiro ser que foi criado e minimisam sua ressureição, dizendo que é apenas espiritual - não acho essa fé seja caminho de salvação. Se alguém nega que Jesus ressuscitou dos mortos e pensa que Jesus era apenas um bom homem, cujo cadáver apodreceu no túmulo, essa pessoa não seria considerada por Paulo como um cristão genuíno.
  • Que só podemos ser salvos pelos méritos de Cristo mediante a fé nele: Um ensino básico de todo o Antigo e Novo Testamento é que ninguém pode salvar a si mesmo, e que só Deus é o Salvador. (Is 43:11; 45:21; Os 13:4.; Lc 1:47; 1Tm 1.1; 2:3; 4:10; Tito 1:3; 2:10; 3:4; Jd 25). O Messias é descrito como alguém que viria para oferecer salvação a todas as nações (Is 49:6,8; Zc 9:9). E esse é o título aplicado especialmente ao Senhor Jesus. Desde o princípio foi anunciado como o Salvador do mundo (Luc. 2: 11), Ele é quem nos defende e nos livra da "ira" no julgamento (1Jo 2.1; Rm 5:9; 1Ts 5:9). Não há o que o homem possa fazer para ser salvo, porque Cristo já o fez, e nisso o homem não tem mérito algum (Efésios 2.8-9). No entanto, toda ação ou mesmo palavra da parte de Deus resultará em resposta do homem (Dt 30.15-20; Hb 3.7-11). Diante de tudo o que Deus realizou por meio de Cristo, em favor da humanidade, requer apenas que os homens tenham em Jesus (Mc 16.16; João 3.16,18; 5.29; 11.25; Atos 8.37; Rm 5:9; 1Ts 5:9).
  • "Batismo" - Diferenciação de outras crenças: Em uma pequena lista mencionada pelo escritor de Hebreus (a sequência abaixo é dessa lista) sobre crenças básicas do cristianismo é mencionado o ensino de batismos (Hb 6.1-2). Nesse caso, o autor estaria falando sobre as cerimônias de purificação dos judeus (Mc 7.1-4). O ensino parece envolver todos esses ritos, suas relações e sua significação comparativa, tendo em mente que o batismo relevante para o cristianismo era o batismo de prosélitos (os novos convertidos) como um ato de conversão que prefigura a purificação da impureza da vida anterior pagã (Mt 28.19).
  • "Imposição de mãos" - crer na continuidade dos dons: Ainda sobre a lista de doutrinas básicas em Hebreus 6.1-2, menciona-se o ensino de imposição de mãos sobre os cristãos. Os adoradores judeus impunham as mãos sobre certos sacrifícios, e os mestres judeus faziam imposição de mãos nos discípulos para ordená-los; a segunda era mais pertinente à prática cristã - cerimônia em que uma pessoa era separada para o serviço cristão (At 6.6; 1Tm 5.22; 2Tm 1.6). A imposição de mãos, na maior parte de suas aplicações, acompanhava "bênçãos" de uma sorte ou de outra, pelo que esse rito era um dos aspectos fundamentais do cristianismo - era uma forma de bênção derivada dos tempos mais antigos (Gn 48:14); acompanhava as curas (Mt 8:3); estava associada ao recebimento do batismo no Espírito Santo (Atos 8:17;19.6) e ao recebimento de seus dons (1Tm 4:14), dentro do culto de consagração.
  • Crer na ressurreição: Para o escritor de Hebreus, não só a crença na ressureição de Jesus, como também, a crença na ressureição dos cristãos era fundamental (Hb 6.1-2). Era crença judaica básica qual se estende para o cristianismo. Essa era um a das notas chaves da pregação dos apóstolos, conforme nos mostra o livro de Atos (23.6). Sua menção normalmente inferia também a ascensão de Cristo (Atos 2:32,33). A ressurreição de Cristo sempre deixou entendida a ressurreição dos crentes, por igual modo (Jo 5:25,26; 1Co 15:20,35,40; Cl 3:1). Além de ser entendida como literal, a ressurreição também é vista como algo moral, quando da transformação moral, ao recebermos a nova vida (Cl 3:1), ao abandonarmos a vida que tínhamos antes da conversão - que é tida por Deus como se estivéssemos mortos espiritualmente (Cl 2.13). O Novo Testamento não faz sentido se a ressurreição dos mortos for negada. O escritor não argumenta sobre esta questão, considera-a suficientemente óbvia para ser incluída nas doutrinas elementares.
  • Crer no juízo eterno: Assim como é tratado a doutrina da ressurreição dos mortos é com a do juízo eterno. O escritor não argumenta sobre esta questão, considera-a suficientemente óbvia para ser incluída nas doutrinas elementares (Hb 6.1-2). Era doutrina básica do judaísmo estendendo-se para o cristianismo (Sl 96.13; Ec 3.17; Ml 4.1; Rm 2.5-9; Hb 10.28-31). Jesus, por diversas vezes a enfatiza (Mt 3.10;7.19;25.31-46; Jo 15.6). Esse julgamento transcenderá a todos os juízos temporais. Será efetuado com base em princípios diferentes daqueles dos tribunais terrenos.

Crer nestas coisas é de suma importância, no entanto a prática cristã também deve ser levada em alta estima. Há diversas exortações bíblicas, no que diz respeito a uma vida cristã sadia e madura, as quais parecem apontar um grau de necessidade de enquadramento da parte do crente (Mt 7.21; 19.17; Lc 6.46; Tg 2.19-22). No entanto, esse é assunto para outro artigo, por hora, sobre a prática, basta lembrar das palavras de Jesus sobre o maior dos mandamentos:

Marcos 12.29-31 "...O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes."

O resumo do apóstolo Paulo também é pertinente pois contempla o texto acima:

1Corintios 10.31-33 "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus, assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos."


Por Pr. Eder Souza. 28/10/2021.

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